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Dizeres ao Relento
As vozes não se pronunciam mais.
Ficaram em beiços calados
debaixo de árvores nanicas no quintal,
onde embaixo chovia, onde acima ventava.
Veio em saque, veio um caminhão de mudanças
carregando os móveis, transportando a mobília e a morada inteira.
Partiu ainda no sereno cortado
deixando a fumaça
levando o terreno
para outro endereço.
As vozes ainda se truncaram articulando dizeres imprecisos.
E sob o frio, os lábios se contorceram diminuindo a intensidade,
e do diálogo, somente um som entorpecido, padecido de roxo
cruzou as paredes ausentes
para os ecos retornarem em palmas de esbofeteios
com anéis aramados vincando o rosto.
É preciso abaixar a cabeça
e começar a falar reproduzindo o antigo dizer.
Arar a terra, buscar o ancinho - Fazer vozes
como os camponeses, entre sabugos, dizem músicas.
As falas penetram pelas abas do chapéu de palha
e se misturam na face com os fiapos de sol durante a labuta.
Chega o entardecer. As vozes somem
e mesmo apesar do sumiço, recriam-se na memória.
Planto repolhos, beterrabas
Planto timbres na vala aberta
e vejo escorrer nos calos das mãos, na enxada,
o quão pouco resistiu.
Ervas daninhas já são muitas, dizem-se esquecimentos:
Flora minha pálida estação.
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