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Gestos

Sobre ontem
Ninguém fale
Deixe a boca muda
E os olhos baixos.
Que nada traia o ocaso
(que se faça esquecer).
Não insinue a partida
ou marque as horas.
Acabou o Tempo,
guarde-o numa caixa negra
coberta duas vezes
com veludo grená. Amordace o soluço
Estanque o jorro das lágrimas
e abra a janela.
Assovie cantigas apesar de tudo
Vá ao riacho
colher água fresca dos borbulhos (...)
Este será o ritual
de todo o viver.
Aplaque a espera
Nada faça das estrelas
Deixe o gato sem afagos
Não se mova,
Volte
Feche a janela.
Acabou a luz elétrica
Procure uma vela nos armários da cozinha
Acenda,
Venha com ela pelo corredor
sem fazer barulho, sem chorar.
Vá para o quarto de dormir
Deite-se
Não pense em nada
Não imagine que o escutou chamar.
Não lamente, não lastime
Permaneça com os olhos baixos no escuro. Aguarde.
Aguarde o sono chegar.

 

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