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A curvatura dos anos - Três irmãos
São ainda crianças - mesmo já envelhecidas
mesmo apesar das pálpebras dormentes,
das bochechas caídas e flácidas
e das mãos despidas de vigor.
Arenques defumados, uma rosa
e o portal da cidade inerme.
Não cresceram, permaneceram estáticas sob a fleuma
de vastos acontecimentos implacáveis.
Só o tempo veio depois acrescentando idades,
jorrando fuligem no transcorrer dos dias
adicionando vincos no semblante.
Convém se despedir da puberdade.
Breve, ainda é breve - já o cumular das horas
Já tormentos e o curvar dos anos
na imensidão dos pássaros,
no levante das asas querendo voar.
Os passos ensaiados na mantiqueira
As praias geladas que se estendem para longe.
Uma pomba pariu sobre as telhas, deixou uma ninhada.
Os gaviões surgem de repente para beber dos ovos
para tragar os que ainda não rebentaram. Predam
levando suas presas na barriga. Lince.
Eram crianças e envelheceram
Não lhes restam mais idades.
O vento penetrando no telhado
O xale, o corpo no frio. A lâmpada acesa, a grota.
Amanhã recolheremos os vestígios da matança
Amanhã andaremos ao longo da praia em silêncio
E ficaremos de soslaio.
Lince. A pomba que pariu sobre a casa. A ninhada.
A revoada agora chilreia
Os gaviões desaparecem entre as nuvens, levam.
Nas asas, voando no lombo daquele pássaro feroz
Tenho a idade dos mortos
Tenho a idade dos meninos sem mãe;
Venta.
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